O papel da cobertura da mídia e da imprensa no fortalecimento da reputação universitária.
Com as mudanças no mundo, as universidades deixaram de ser apenas centros de aprendizagem.
Elas se transformaram em marcas globais. Mais de 25.000 universidades em todo o mundo estão
tentando atrair professores de alto nível, obter subsídios para pesquisa e captar um número
limitado de estudantes internacionais altamente talentosos. Nesse cenário, o estilo de
comunicação da “torre de marfim”, desconectado da realidade, desapareceu completamente.
A verdade é que as notícias que outras pessoas leem sobre a sua instituição têm mais impacto
do que o seu próprio site.
A interação entre relações públicas universitárias e cobertura da mídia é, portanto,
o ponto de virada. Não se trata apenas de aparecer nos jornais, mas de organizar e gerir a
reputação da universidade. Quando um veículo de grande relevância escreve sobre uma nova
descoberta em seu laboratório ou entrevista o reitor sobre um tema urgente de alcance global,
ele oferece algo que não pode ser comprado com dinheiro: a validação de um terceiro
independente. Na
UniNewsletter ,
vemos esse tipo de mídia conquistada como um poderoso gerador de confiança entre estudantes
internacionais em potencial e suas famílias, ajudando as instituições a amplificar suas
histórias onde isso realmente importa.
Por que a reputação universitária importa mais do que nunca
Vivemos atualmente em tempos de “economias da reputação”. A decisão de um estudante em
potencial de se mudar para uma universidade no exterior — por exemplo, vindo de Seul ou
Mumbai — representa um investimento de altíssimo risco. Pesquisas sobre estudantes
internacionais sustentam essa afirmação. De acordo com esses estudos, um dos principais
fatores que
os estudantes estrangeiros procuram em uma universidade ao longo de todo o processo de pesquisa
é o prestígio institucional e a percepção do “ranking”.
Uma grande marca universitária não apenas preenche vagas. Além disso, ela:
Atrai docentes de alto nível:
Pesquisas de qualidade estão sempre em desenvolvimento nas principais instituições de cada
área, e os melhores pesquisadores desejam fazer parte delas para se beneficiar da associação
institucional.
Garante financiamento:
Doadores e órgãos governamentais têm maior disposição para investir em instituições com forte
visibilidade de marca universitária.
Influencia rankings:
Entre os
Rankings Mundiais de Universidades QS
,
a pesquisa de “Reputação Acadêmica”, baseada na percepção dos pares, costuma representar até
30% ou mais da pontuação total.
A cobertura da mídia como amplificadora de credibilidade
Por que uma reportagem é mais eficaz do que um anúncio pago? A resposta está na psicologia.
Um anúncio é uma afirmação interessada. Já a cobertura da mídia funciona como uma recomendação.
Quando um jornalista cobre sua pesquisa, ele basicamente diz ao mundo: “Esta instituição está
fazendo a diferença”.
De acordo com o
Edelman Trust Barometer 2024
,
especialistas técnicos e “pessoas como eu” são muito mais confiáveis do que líderes
institucionais tradicionais. Assim, a cobertura midiática conduzida por especialistas torna-se
um forte sinal de confiança.
Essa validação de terceiros é a principal alavanca de uma estratégia bem-sucedida de relações
públicas universitárias. Ela transforma a produção acadêmica em impacto público. Um estudo do
Council for Advancement and Support of Education (CASE)
indica que instituições que se envolvem ativamente em relações com a mídia obtêm maior engajamento
de ex-alunos e maior apoio filantrópico como resultado desses esforços.
Principais estratégias de RP para fortalecer a reputação universitária
Para que as instituições realmente mudem a forma como são percebidas globalmente, é necessário
ir além da simples publicação ocasional de comunicados de imprensa. Uma estratégia de relações
com a mídia no ensino superior bem estruturada é complexa e composta por diversos elementos
interligados.
1. Liderança de pensamento e comentários especializados
A construção da marca universitária por meio do corpo docente pode acontecer muito rapidamente
quando os professores são posicionados como especialistas de referência para a imprensa.
Eles devem ser as vozes consultadas quando o ciclo de notícias muda, como na divulgação de um
novo relatório climático ou em transformações da economia global. Ao posicionar a universidade
como fonte de ideias inovadoras por meio de artigos de opinião em veículos como The Guardian
ou The New York Times , a instituição se estabelece como líder intelectual.
2. Destaque para avanços em pesquisa
A descoberta científica é o principal fator de elevação da reputação universitária. No entanto,
revistas acadêmicas geralmente são inacessíveis, pois estão atrás de paywalls e utilizam uma
linguagem complexa. Uma equipe de RP competente transforma o trabalho científico realizado “no
laboratório” em uma história clara e interessante para a mídia de massa. Se a pesquisa tiver
impacto significativo e for coberta por agências globais como Reuters ou AP, ela se torna
acessível a milhões de pessoas, fazendo com que a presença digital da universidade cresça de
forma exponencial.
3. Divulgação do sucesso de estudantes e ex-alunos
Candidatos à admissão se interessam mais pela comunicação quando conseguem enxergar nela uma
versão futura de si mesmos. Histórias reais de sucesso criam um vínculo emocional que dados
isolados não conseguem gerar. Isso é especialmente eficaz na captação de estudantes
internacionais; mostrar como um estudante da América do Sul teve sucesso em um campus europeu
é uma prova concreta de que a promessa “global” da instituição está sendo cumprida. Atualmente,
temos plena consciência do
papel que as redes sociais desempenham na mobilidade internacional dos estudantes
ao amplificar essas histórias autênticas de sucesso.
4. Uso estratégico de rankings e acreditações
Os rankings podem ser debatidos, mas existem. Os
Rankings Mundiais de Reputação do Times Higher Education
demonstram que, em mercados altamente competitivos, a diferença entre “sobrevivência e sucesso”
é frequentemente definida pelo prestígio. Em muitos casos, elevar o status da universidade
perante o público ocorre por meio do anúncio estratégico de avanços nos rankings ou da obtenção
de novas acreditações como AACSB ou EQUIS. É importante destacar que essas conquistas não servem
apenas para celebração administrativa, mas beneficiam diretamente estudantes e parceiros.
RP digital: expandindo o alcance além da mídia tradicional
O conceito de “imprensa” mudou. Hoje, as relações públicas digitais são tão importantes quanto os
jornais tradicionais. Backlinks de qualidade provenientes de fontes confiáveis aumentam o SEO da
universidade, tornando-a mais fácil de ser encontrada por estudantes durante a fase de pesquisa.
A forma como você se comunica também é crucial. Estudos mostram que universidades que publicam em
vários idiomas alcançam maior visibilidade global
,
pois conseguem atingir pais e outros influenciadores que não falam inglês e que, muitas vezes,
detêm o “poder de veto” no processo de decisão dos estudantes.
O papel da comunicação em crises
Nenhuma instituição, incluindo as de ensino superior, está imune a controvérsias. Pode ser um
protesto no campus, uma auditoria financeira ou até um escândalo de pesquisa, mas a forma como a
universidade lida com as “más notícias” é o que realmente demonstra sua força. Comunicar-se de
forma aberta, rápida e responsável é a única maneira de proteger a marca. Perder o controle da
narrativa durante uma crise pode destruir em poucas horas o trabalho de dez anos em relações
públicas universitárias.
Segundo especialistas em RP da
Agility PR
,
o objetivo da gestão de crises não é apenas “ocultar” o problema, mas demonstrar os valores da
instituição por meio de sua reação.
Construindo relacionamentos de longo prazo com a mídia
Um trabalho eficaz de RP não é pontual; trata-se de um relacionamento contínuo. Instituições que
obtêm sucesso ao longo do tempo veem os jornalistas como parceiros, o que implica:
Acessibilidade: uma seção de “Mídia” bem estruturada no site, com fotos em alta resolução e contatos diretos.
Consistência: oferecer boas ideias de pauta mesmo quando não há um objetivo de marketing imediato.
Confiabilidade: responder às solicitações da imprensa em até uma hora, e não em uma semana.
Medição de impacto
Como saber se a estratégia de RP da sua universidade é eficaz? É preciso ir além de métricas de
vaidade, como a quantidade de comunicados. Instituições bem-sucedidas acompanham:
Share of Voice: a frequência com que a universidade é mencionada em comparação aos concorrentes.
Análise de sentimento: as menções são positivas, neutras ou negativas?
Métricas de engajamento: segundo o CASE Insights, a comunicação proativa é um dos principais motores da
lealdade dos ex-alunos e do apoio financeiro.
Picos de consultas: é possível relacionar uma grande notícia a um aumento no tráfego do site ou nas
inscrições?
Tráfego de referência: quantos estudantes em potencial chegam às páginas da universidade por meio de
artigos jornalísticos.
O futuro das relações públicas no ensino superior
A competição por visibilidade global tende a se intensificar. As relações públicas estão se
tornando cada vez mais orientadas por dados, com universidades utilizando inteligência artificial
para monitorar sua reputação em tempo real e em vários idiomas. Ainda assim, a essência do
trabalho permanece humana: contar histórias, agir com ética e buscar o conhecimento.
Universidades que investem hoje em relações públicas no ensino superior não estão apenas
adquirindo “fama”; estão construindo um verdadeiro “fosso de reputação” que as protegerá contra
mudanças futuras no mercado e nas dinâmicas demográficas.
Conclusão
Na academia moderna, mídia e comunicação não são opcionais; são os meios pelos quais uma
instituição é vista globalmente. Ao integrar relações públicas com pesquisa, sucesso estudantil
e expertise do corpo docente, uma universidade pode evoluir de um segredo local para um líder
global.
A consistência é fundamental. Uma única manchete não constrói uma reputação; ela é formada por
milhares de pequenas histórias contadas ao longo do tempo. Se você deseja amplificar a voz
global da sua instituição, comece a dar às relações com a mídia o mesmo nível de atenção que
dedica às salas de aula.